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AGDA

Release

Fruto da sólida parceria entre os grupos Matula Teatro e Boa Companhia, o espetáculo AGDA, aborda questões fundamentais da existência humana, como a finitude da vida e a aparente incompatibilidade entre os desejos do corpo e do espírito, entre o sagrado e o profano, temas recorrentes na obra de Hilda Hilst. O elenco representa os personagens femininos e masculinos – numa escala arquetípica, anima e animus – personificando essas duas energias opostas e complementares.

No desequilibrado mundo atual, o animus oprime a anima, resultando numa violência que permeia as relações entre as pessoas e das pessoas com o restante da natureza. É contra esse estado de coisas que se contrapõe a voz feminina, lírica e angustiada de AGDA na afirmação de sua singularidade, na demonstração de sua ‘força não-violenta’, na busca eterna do conhecimento e da transcendência, tornando ainda mais valioso o desafio de montar o texto nos dias atuais. Estreou em 2011 e, mesmo após 10 anos, mantém sua temática extremamente urgente e atual. O espetáculo circulou por diversas cidades e estados brasileiros (SESCs, Sesis, Festivais e Proac Editais), além de apresentações realizadas em Évora/Portugal (através do programa de Internacionalização do extinto MINC).

SINOPSE

Fábula atemporal de caráter trágico, o espetáculo AGDA é uma adaptação do conto homônimo de Hilda Hilst. A história da mulher que rompe tabus e provoca a ira da comunidade onde vive, serve de metáfora para uma reflexão sobre o mundo contemporâneo, cuja lógica patriarcal e violenta não dá espaço à gentileza e ao cuidado. Para isso, a encenação serve-se de elementos de teatro e dança, transitando entre a prosa e a poesia, em um delicado jogo de imagens e personagens.

Atuação: Alice Possani, Erika Cunha e Verônica Fabrini

Texto Original: Hilda Hilst

Direção e Adaptação: Moacir Ferraz

Iluminação: Moacir Ferraz

Figurinos: Juliana Pfeifer e Sandra Pestana

Cenografia: Juliana Pfeifer

Trilha sonora: Mauro Braga e Silas Oliveira

Fotografia: Maycon Soldan

Produção: Carolina Baraglio e Dudu Ferraz

Realização: Grupo Matula Teatro e Boa Companhia

Duração: 60 min

Classificação: 18 anos

Quem foi Hilda Hilst?

Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 — Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20, que relatou em suas obras a frágil e surpreendente condição humana, mesclando sagrado e profano e, real e imaginário.
Em 1965, mudou-se para Campinas, criando um espaço de refúgio criativo, que chamou de CASA DO SOL. Foi ali que Hilda dedicou-se exclusivamente ao trabalho literário, produzindo mais de 80% de sua obra. Atualmente, a Casa do Sol é reconhecida por abrigar um acervo sobre sua memória e o Instituto Hilda Hilst.
Foi autora homenageada pela FLIP 2018 (Feira Literária Internacional de Paraty/Rio de Janeiro) e recebeu prêmios como Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes), Pen Clube São Paulo e Cassiano Ricardo. Já teve obras traduzidas para o inglês, francês, espanhol, basco, alemão, italiano, norueguês e japonês, e é considerada uma das grandes autoras brasileiras do séc. XX.

Críticas

“…a força das palavras pronunciadas pelas vigorosas interpretações das três atrizes nos atinge como se fôssemos águas paradas agitadas pela ventania.” (Ednaldo Freire)
“a potente transcriação dramatúrgica (…) não só conserva a natureza híbrida do conto de Hilda Hilst – no qual se mesclam as instâncias dramática, narrativa e lírica – como, ainda, mantém toda a intensidade da sua escrita, ganhando preciosas nuances no jogo entre a poesia e os corpos que transitam entre as energias masculina e feminina, entre o humano e o animal, entre o profano e o divino.” (Nina Caetano)
“Espetáculo muito bem sucedido. Direção rica em desenhos cênicos e condução das atrizes. Boas interpretações, bom domínio do corpo. Trabalho sério, o que é sempre um prazer assistir.” (Roberto Lage)