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Passagens

Release

Fruto da sólida parceria entre os grupos Matula Teatro e Boa Companhia, o espetáculo AGDA, aborda questões fundamentais da existência humana, como a finitude da vida e a aparente incompatibilidade entre os desejos do corpo e do espírito, entre o sagrado e o profano, temas recorrentes na obra de Hilda Hilst. O elenco representa os personagens femininos e masculinos – numa escala arquetípica, anima e animus – personificando essas duas energias opostas e complementares.

No desequilibrado mundo atual, o animus oprime a anima, resultando numa violência que permeia as relações entre as pessoas e das pessoas com o restante da natureza. É contra esse estado de coisas que se contrapõe a voz feminina, lírica e angustiada de AGDA na afirmação de sua singularidade, na demonstração de sua ‘força não-violenta’, na busca eterna do conhecimento e da transcendência, tornando ainda mais valioso o desafio de montar o texto nos dias atuais. Estreou em 2011 e, mesmo após 10 anos, mantém sua temática extremamente urgente e atual. O espetáculo circulou por diversas cidades e estados brasileiros (SESCs, Sesis, Festivais e Proac Editais), além de apresentações realizadas em Évora/Portugal (através do programa de Internacionalização do extinto MINC).

SINOPSE

PASSAGENS é uma intervenção poética itinerante que acontece em espaços urbanos tais como calçadas, vielas, parques, praças e espaços de convivência.
É uma caminhada pelo universo poético da obra de Hilda Hilst, que oferece aos espectadores um encontro marcado pelo lirismo e pelo humor. Poemas, fragmentos de contos e novelas são compartilhados com o espectador que ora segue as atrizes, ora assiste às cenas, ora se descobre parte delas.
A trajetória é definida de acordo com as particularidades do local de apresentação, sendo previamente estabelecidos alguns pontos de parada em que acontecem os encontros. Esses encontros são divididos em 3 etapas: composições do corpo com o espaço (as atrizes compõem imagens com o espaço); poemas ao pé do ouvido (poemas são ditos numa relação um a um para o espectador); e, na terceira etapa o espaço teatral se estabelece com o texto de “A Obscena Senhora D”.
A intervenção aposta na experiência da presença como acontecimento e na interferência na paisagem urbana que propõe um delicado encontro entre arte e cotidiano.

Elenco: Alice Possani, Erika Cunha e Quesia Botelho

Músico: Érico Damineli

Direção: Moacir Ferraz

Figurino: Anna Kühl e Isabel Graciano

Produção: Carolina Baraglio e Luiz Eduardo Ferraz

Parceria: Instituto Hilda Hilst

Duração: 60 minutos, espalhados por estações ou cenas

Indicação etária: 14 anos

Quem foi Hilda Hilst?

Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 — Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20, que relatou em suas obras a frágil e surpreendente condição humana, mesclando sagrado e profano e, real e imaginário.
Em 1965, mudou-se para Campinas, criando um espaço de refúgio criativo, que chamou de CASA DO SOL. Foi ali que Hilda dedicou-se exclusivamente ao trabalho literário, produzindo mais de 80% de sua obra. Atualmente, a Casa do Sol é reconhecida por abrigar um acervo sobre sua memória e o Instituto Hilda Hilst.
Foi autora homenageada pela FLIP 2018 (Feira Literária Internacional de Paraty/Rio de Janeiro) e recebeu prêmios como Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes), Pen Clube São Paulo e Cassiano Ricardo. Já teve obras traduzidas para o inglês, francês, espanhol, basco, alemão, italiano, norueguês e japonês, e é considerada uma das grandes autoras brasileiras do séc. XX.