Estamos celebrando vinte anos de grupo em plena pandemia, com números de casos e mortes em processo de aceleração (estado de São Paulo / Brasil / maio de 2020), em isolamento social sem perspectiva de abertura e com a recente constatação de que não existe volta possível ao mundo de antes.
Em meio às muitas conversas artísticas, políticas e pedagógicas que aconteceram nessas últimas semanas, escuto que é preciso ‘construir uma casa na incerteza’.
Essa imagem me agarra pela mão e me leva a passear pela trajetória de vinte anos (vinte anos??) de um grupo de teatro que escolheu Campinas como território artístico-existencial.
Arte Matula 20 Anos - Quadrado BrancoEm vinte anos o Matula alugou a primeira sede;
teve integrantes que saíram e outros que entraram;
reformou e inaugurou a segunda sede;
ministrou cursos curtos e longos, em casa e fora dela;
criou quinze espetáculos, dos quais seis permanecem em repertório;
realizou parcerias com outros grupos e artistas;
apresentou-se em palco,  rua, lona e espaços alternativos;
viajou Brasil,  atravessou oceano e,

paradoxalmente, embora sejamos outro conjunto, organizado de outra maneira, em relações outras e sempre novas, o Matula permanece existindo e sustentando algo que resiste e que hoje celebra vinte anos.
Nossa casa construída na incerteza!
Recentemente revisitei textos produzidos durante o mestrado que realizei lá pelos idos de 2012, e em que escrevi sobre as relações que se estabelecem na dinâmica de existir em coletivo:
“Manter o trabalho de um grupo não significa apenas circular um repertório, administrar uma sede ou criar espetáculos novos de tempos em tempos. Significa, principalmente, atualizar constantemente os afetos e o sentido da existência no/com/para/por meio desse coletivo específico. Tornar meu o sonho do outro, e, sonhando juntos, inventarmos realidades”.
Gratidão imensa a todes que fizeram parte dessa história!
(não arrisquei fazer uma lista de nomes porque, seguramente, seria uma lista incompleta…)
Alegria de ter companhia na aventura de construir permanentemente essa Casa-Matula, abrigo de sonhos improváveis e cujos alicerces instáveis são potência!!!
Viva, viva, vida!!!

(Alice Possani)