Nova montagem do Grupo Matula Teatro a partir do texto ‘COMO SI FUERA ESTA NOCHE’, da dramaturga espanhola Gracia Morales, com direção de Verônica Fabrini. O novo espetáculo faz parte do projeto “Matula 20 anos”  e estreou em março de  2020, ano em que o grupo completa duas décadas de existência.

Duas mulheres, separadas temporal e espacialmente por dezoito anos. Uma delas conversa com a filha, menina que brinca entre as costuras da mãe. A outra está a espera de alguém que vai chegar, e enquanto isso ensaia com um gravador as palavras que serão ditas. Aos poucos, dos silêncios emerge uma história de violência como muitas outras, alternando divergência e carinho, palavras rudes e atos de amor. Esse movimento  – aparentemente circular – se revela na verdade uma espiral, em que a intensidade da violência vai lentamente galgando patamares mais altos.
Segundo a autora, essa dramaturgia sustenta-se sobretudo no desejo e na memória, colocando em um espaço comum duas mulheres separadas por um barreira temporal de dezoito anos. O texto aborda com delicadeza uma história que poderia ter saído das páginas de um jornal, trazendo um dos muitos casos de violência que lemos diariamente. No entanto, a opção da autora é por tratar o tema em sua ‘complexa cotidianidade, sem desenhar heróis nem carrascos’, incluindo momentos de lirismo no improvável diálogo entre mãe e filha, fazendo emergir dos silêncios as palavras tantas vezes não ditas. A encenação pretende valorizar as propostas da dramaturga, transitando entre os diferentes pontos de vista que compõe as relações dessa família: sutilezas entre mãe e filha, os encontros e desencontros do casal, relação de proximidade e afastamento entre pai e filha, a perspectiva sobre uma experiência vivida que se transforma com o tempo. Outro elemento presente no texto que será referência para a encenação é uma percepção temporal cíclica, que se revela de diferentes maneiras: na repetição de nomes das mulheres da família; na mãe que sempre perde seu dedal de costura; nas brigas que acontecem geralmente às sextas e os dias de amor, sempre às terças; na ação de esperar da filha que de alguma maneira remete ao cotidiano de espera da mãe, entre outros detalhes.

Atuação: Alice Possani e Erika Cunha Direção: Verônica Fabrini Dramaturgia de Grupo Matula Teatro, a partir do texto de Gracia Morales Iluminação e cenotecnia: Eduardo Albergaria Figurinos: Anna Kühl Trilha sonora (criação e execução ao vivo): Dudu Ferraz Provocações temáticas: Stella Fisher Direção de Produção: Grupo Matula Teatro Produção Executiva e Assessoria de Imprensa: Carolina Baraglio Identidade Visual: Bruno Cardoso Fotos: Maycon Soldan e Paula Poltronieri Costuras: João Castilho Bordados: Anna Kühl, Amanda Pitta, Erika Cunha, Flora Armani

Registro audiovisual Ericson Cunha, Pedro Ribeiro e Carlos Joaquim

Edição de imagens Ericson Cunha

Realização: Grupo Matula Teatro

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