Chuva Pasmada é um espetáculo fruto da parceria entre Grupo Matula Teatro e o ator Eduardo Okamoto, e teve sua estréia em 2010, ano em que ambos, ator e grupo, completam dez anos de trajetória artística. Adaptado por Cássio Pires do conto original do escritor moçambicano Mia Couto, o espetáculo tem a sensível direção de Marcelo Lazzaratto, reconhecido diretor da cena paulistana.

Estreou em maio de 2010 no SESC Campinas e circulou por diversos festivais em São Paulo e Rio de Janeiro. Realizou temporada de sucesso no SESC Pompéia nos meses de outubro e novembro. Ainda em 2010, Alice Possani e Eduardo Okamoto foram indicados ao Prêmio CPT 2010, concedido pela Cooperativa Paulista de Teatro, na categoria “MELHOR ELENCO”, por suas atuações no espetáculo.

Indecisa entre céu e terra, a chuva não cai: uma chuvinha suspensa, leve pasmada, aérea.

Ninguém se recordava de um tal acontecimento. Aquele lugar poderia estar sofrendo maldição.

A chuva é o Avô que, em rio seco, mingua sonhos de navegar até o mar.

É o Pai que, estancado junto à vida, não é o mais velho, mas o mais envelhecido de todos.

É a Mãe, segredando com a chuva, mistérios de mulher e de água.

É o Filho amanhecendo conhecimentos de vida e de morte.

É a Tia que, sem cumprir a estação do matrimônio, recolhe-se em reza de cruz e rosário. Como uma inundação sem chão, esta chuva é cada um e, ao mesmo tempo, todos nós, que nascemos água e morremos terra.

“Chuva Pasmada” encena o conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto.

O espetáculo, no entanto, não procura, em chão de África, a imagem da terra árida; entrevê, nas relações humanas, centelhas de gotas que não se desempenham.

No espanto de uma chuva que não cai, “Chuva Pasmada” esconde-nos, como em enigma, a imagem oposta: sonho e intenção de um rio sobrando da terra.

No fluir infindo de uma correnteza sempre nascendo, reiventamo-nos outros – sempre! “Chuva Pasmada” lembra-nos: há rio e canoa. Façamo-nos, nós mesmos, remos.

O espetáculo “Chuva Pasmada” fundamenta-se na obra de Mia Couto. A gênese deste processo criativo, no entanto, não se limita à matéria literária: inclui os festejos de dez anos de trabalhos do ator Eduardo Okamoto e do Grupo Matula Teatro.

Chuva é celebração. O espetáculo marca o reencontro de Alice Possani, atriz do Matula, e Eduardo Okamoto, um dos fundadores deste grupo e que, a partir de 2005, seguiu carreira solo.

Em 2010, ano de estréia deste novo trabalho, ator, atriz e grupo completam dez anos de trajetórias (às vezes em caminhos próximos; outras, autônomos). E se o texto de Mia Couto é escrito de passagens – tratando de amor, crescimento, amadurecimento, morte -, esta “Chuva” é também trânsito para novas experiências.

É certo que há de se celebrar os dez anos em que jovens artistas de teatro se dedicam a um projeto artístico de longo prazo, construído no tempo – que sempre nos faz outros. Mas também há de se celebrar os anos vindouros que o tempo precedente aponta. Esta nossa chuva, que nunca esteve pasmada, há também de preparar para o fluir de um rio sempre nascente.

Na abertura ao novo, os atores aproximaram-se de outros artistas, como o encenador Marcelo Lazzaratto e o dramaturgo Cássio Pires. Ambos, com linhas de estudo distintas daquelas que marcam as trajetórias de Matula e Okamoto, puderam referenciar a criação com novos procedimentos – como o uso da palavra, matéria pouco explorada em trabalhos anteriores fundados em linguagem corporal.

Na reunião das diferenças, realizamos em processo criativo a provocação de Mia Couto: coração sempre começando no peito de outra pessoa.

Texto Original: Mia Couto

Dramaturgia: Cássio Pires

Direção, Iluminação e Trilha Sonora: Marcelo Lazzaratto

Atuação: Alice Possani e Eduardo Okamoto

Figurinos e Cenografia: Warner Reis

Músicas: Michael Galasso

Arte Gráfica: Alexandre Caetano

Fotografia: Fernando Stankuns

Produção: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro

Documentação: Paula Diana

Duração: 70 min

 

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