Depois de 10h de vôo (sendo 6hs de uma turbulência danada), mais 4h30 de ônibus da Cidade do México até Xalapas, finalmente chego em meu destino final: Hotel Salmones, no centro de Xalapas, estado de Veracruz.manifestação em xalapas

O lugar é um mix de arquitetura espanhola com muitos rostos índios, a diversidade do lugar é incrível. Meu hotel estava a uma quadra dos prédios da Prefeitura e do Governo do Estado e pude presenciar a ocupação da praça por ativistas que pedem melhorias para a educação e a população indígena. Eles estavam realmente ocupando a praça, levavam colchões e bandeiras.

Segundo dia, fui conhecer uma das maravilhas do lado de cá: MUSEU DE ANTROPOLOGIA de Xalapas – http://www.uv.mx/max/. Difícil descrever a nossa pequenez, em meio a tanta grandiosidade, dos detalhes das obras ao seu tamanho! E a idade que elas possuem, essa obra abaixo é do período datado de 1.200 a 900 a.C., período pré-clássico, cultura Olmeca.

cabeça colossal

 Nesse mesmo dia fui conhecer Coatepec, uma cidade pequena, nos arredores de Xalapas, conhecida por seu café (delicioso por sinal!), sua formação é pré-hispânica, dos povos Totonacas, também é conhecida como cidade dos POVOS MÁGICOS.

Depois, já na cidade do México, confesso que meu pensamento sobre as fronteiras da arte não paravam, em especial quando fui conhecer o museu CASA DA FRIDA KAHLO. Em especial, um desenho me emocionou muito, era uma prótese peitoral feita de gesso, com o qual ela viveu por muito tempo que tinha um o símbolo comunista (a foice e o martelo) e um feto desenhados. Ela soube transformar sua realidade, tão dolorosa em estética, comunicando a todos, mesmo que não tenham vivido o mesmo que ela viveu, acabamos por navegar por nossas próprias falhas, nossas impossibilidades humanas.

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Além disso, um pouco mais de história para ser revivida, aconteceu na casa de Leon Trotsky, aqui o impacto foi direto como meu trabalho, já que ele foi exilado, teve todos seus filhos mortos por seus pensamentos revolucionários para a época e foi morto em exilio, nessa casa que se tornou um museu.

Agora, pra finalizar, uma das maravilhas do mundo: as pirâmides de Teothiuacan. Não dá pra negar que esses caras foram geniais. A cidade foi abandonada em 650 d.C, mas as bichinhas estão lá em pé, firmes e fortes, numa terra que tem terremotos! Essa foto é da pirâmide do Sol vista da pirâmide da lua, ou seja, ESCADAS, MUITAS ESCADAS para se chegar ao topo!

piramides

Os Mexicanos são extremamente gentis, prestativos e alegres, sem perder o caráter militante por um país mais justo. Emiliano Zapata está presente em muitos lugares da cidade, na voz de um idoso, nas obras de Diego Rivera e no EZLN (Exercito Zapatista de Libertação Nacional), que ainda resiste fortemente em Chiapas, além de tantas pessoas resistentes, que estão fazendo um teatro marginal, de denuncia, de sobrevivência num mundo cada vez mais fechado em si mesmo, cada vez mais midiático e encarcerado no show business.

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E, sempre gosto de finalizar uma viagem como essa agradecendo, então aqui meu “Muito Obrigada!” ao Colóquio que me permitiu ir até o México, em especial ao Professor Dr. Antonio Prieto.

À Paula Ibañez (que fez toda a produção dos espetáculos na cidade do México com muita coragem e um tanto de ‘cara de pau’) e ao Daniel Costa (parceiro de pós-graduação e de muitos pensamentos). Esses dois foram companheiros para além das peças apresentadas, nesse pouco tempo de viagem intensa, eles se jogaram comigo na experiência de ver e muitas vezes deixar as lágrimas correrem, porque mudar o foco às vezes nos revela a nós mesmo e nos deixa assim, livres navegantes, descobrindo brechas e rotas de fuga.

Vida longa aos projetos e aos espetáculos!