Este post é a segunda parte sobre a viagem da atriz Erika Cunha ao México, caso você não tenha lido a primeira parte clique aqui para acessar o outro post!

Dia 25 de Setembro, após a finalização do Colóquio, Daniel Costa, Paula Ibañez e eu partimos para a cidade do México, apresentar nossos solos na Universidaddel Claustro Sor Joana. Tamanha foi minha surpresa quando cheguei na universidade e vi um lugar incrível tanto arquitetonicamente quanto de pensamento acadêmico.

cartaz dos espetáculos

Nessa universidade há um curso que se chama Licenciatura em direitos humanos e gestão de paz, e estava acontecendo paralelo aos espetáculos um seminário sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos, muito revolucionário em relação a nossa realidade brasileira!

Fomos recebidos calorosamente por Ana Piño Sandoval, que organizou as apresentações, um bate-papo no final das apresentações e um coquetelzinho muito simpático!

O que posso dizer do que aconteceu? Um ENCONTRO, afetado pelo desejo de realizar, em pouco tempo, criamos uma dramaturgia que relacionou as 3 obras, que puderam ser lidas como um conjunto, mesmo não sendo!

A entrada do público ao espaço cênico foi conduzida pelo bailarino Daniel Costa com a figura do palhaço da Folia de Reis. Quando chegavam ao espaço, que ficava no segundo andar, já estava instalada Paula Ibañez com a sua obra Yaguaretéa. O espetáculo acontecia dentro de um círculo de velas, com o publico todo em arena.

daniel costa

Quando finalizava Yaguaretéa, Daniel retornava a cena, para mudança de cenário com as figuras do Boi e da Pomba-gira. Quando as velas eram apagadas, o círculo que compunha o cenário de Paula era desfeito e tornava-se uma semi-arena, onde o Exilius era descoberto, aonde Ela (a personagem) se apresentaria em sua carriola (essa tinha 60 anos e um valor afetivo da pessoa que me emprestou, já que era de seu pai, já as pedras foram retiradas do Claustro, que é um local de preservação da memória desse antigo monastério e foramdevolvidas depois exatamente de onde foram retiradas!).

yaguaretea

O impacto dessas obras (“ô de dentro, ô de fora” e Yaguaretéa) antes de Exilius foram tão forte, já que falam de realizadas imaginárias, mas também de realidades vivenciais, de um Brasil reconhecido também por sua resistência, que resultou numa cena navegada por meu próprio exílio, do meu país e de meu território corpo. O espetáculo foi dançado, degustado, fazia muito tempo que não o apresentava, mas ele estava realmente muito vivo em mim. Talvez, mais que nunca! Sentar na areia, naquele carrinho é um lugar que meu corpo reconhece e automaticamente todas as historias vêm e transbordam em movimento e em palavras. Sem contar que um espectador me cumprimentou em árabe, o que me fez afundar de vez na história que conto e numa percepção mais sensível do momento.

exilius

Depois do espetáculo, durante o bate-papo uma pessoa falou sobre o muro do México com os EUA, que quando começou ele pensou que eu estava falando deles, depois foi percebendo que o muro era diferente. Mas, a ligação foi direta: colonização espanhola e construção de um muro. Fiquei emocionada com a declaração, de perceber que o Exilius comunica para além dele mesmo.

E que todas as obras brasileiras tiveram um enorme êxito fora do país, demonstrando uma pesquisa aprofundada e cuidadosa desses três grupos: Circe Companhia Teatral, Companhia Pindorama e Grupo Matula Teatro

Mas a viagem ainda não acabou! Saiba tudo o que aconteceu na terceira e ultima parte do post, é só clicar aqui!