cuba6

 

 

 

Com algum atraso (como quase todas as minhas postagens… ) este texto vem compartilhar minha participação no Laboratorio Internacional de Verano Traspasos Escénicos, que aconteceu em Havana, Cuba, em junho passado.

Organizado pelo ISA – Instituto Superior de las Artes, este evento promoveu o encontro de artistas e pesquisadores de artes cênicas de diferentes países para mesas de debate, espetáculos, oficinas e intercâmbios

Participei do Coloquio Internacional In-Pactos: relaciones, estrategias y repercussiones de los modos de producción y gestión de las artes y los projectos culturales contemporáneos.

Não é à toa que este era o tema do encontro: Cuba vem passando por um processo de transformação cada vez mais acelerado, que aqui costumamos chamar de ‘abertura’ para o mercado internacional. É possível perceber que a cartilha ‘livre comércio-desigualdade-violência’ vem sendo seguida à risca, potencializada pela tríade turismo-drogas-prostituição.

cuba1Apesar dos sinais de que o capitalismo neoliberal está chegando para ficar, Cuba ainda está longe da barbárie que assola os outros países latino-americanos. Não só é possível andar nas ruas sem medo, como os sistemas de saúde, educação e o financiamento público para a cultura e para as artes parecem quase um sonho em comparação com lugares como o Brasil, em que ainda é preciso convencer políticos e sociedade de que a cultura é um direito essencial e que os profissionais dessa área são trabalhadores.

Nesse encontro pudemos conhecer um pouco da produção teatral cubana, que parece bastante plural: espetáculos de palco que circulam entre linguagens tradicionais e outros com dramaturgias e encenações contemporâneas, espetáculos com bonecos, espetáculos que nos fizeram gargalhar até perder a respiração, e outros que buscam fronteiras de linguagem entre dança e teatro.

Nas mesas de debate conhecemos projetos e o sistema de financiamento público da Colômbia – que sem dúvida foi inspiração para o Sistema Nacional de Cultura, sepultado pelo atual governo brasileiro -, conhecemos estratégias para formação de público de experiências cubanas consagradas como o Festival Mayo Teatral, um tanto da realidade cultural mexicana – que se parece muito com a nossa, as condições duras do Panamá, entre outros intercâmbios de pensamentos e ações.

Alegria à parte foi reencontrar Melissa Lopes, companheira de Matula que hoje vive e trabalha em Natal (RN), e que também esteve no encontro.

Agradeço ao André Carreira, amigo e parceiro do Matula, cuja indicação me levou até Havana.

Agradecimentos especialíssimos a Eberto García Abreu, cuja organização primorosa e carinho abundante fizeram acontecer esse encontro memorável.

Segue daqui um grande abraço ao novos amigos-artistas que ainda pretendo reencontrar por aí:

Pepe Bablé, diretor espanhol que circula mundo fazendo acontecer teatro de boa qualidade;

Soraya Trujillo Ortiz (Corporación Imagineros) e Juan Pablo Ricaurte, de Colombia;

Damián Cervantes (Vaca 35) e Laura Galindo, México;

Luvel García Leyva, um cubano bem brasileiro;cuba4

Consuelo Salas, produtora internacional;

Alex Mariscal e Lissette Rodríguez Góngora, do Panamá.

Fica o desejo de voltar no próximo ano (!) e de seguir em contato com tantos artistas com quem compartilhamos esse território imagético e identitário que chamamos de América Latina.

 

por Alice Possani

novembro/2017