Meu dia começa no meio do caminho. Me junto ao resto da equipe para seguir até o Sesi Piracicaba onde, mais tarde, depois de montar um cenário conhecido, estender um telão de céu infinito, levantaremos âncoras de textos decorados e seguiremos rumo ao desconhecido de Cortázar. É sempre igual e sempre novo.

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O teatro do Sesi foi nosso primeiro suspiro de muitos em Piracicaba. Palco do tamanho perfeito, técnicos atenciosos e uma plateia com olhares amigos nos dois dias de apresentação. O primeiro dia termina às margens do rio Piracicaba (tente ler isso e não cantar “o rioooo de Piracicabaaaa”) em um restaurante na famosa Rua do Porto. Entre idas e vindas do garçom, ele nos pergunta se estudamos para ser artistas.

Respondemos que sim. Ele, com um olhar curioso, nos pergunta se é verdade que Piracicaba foi a primeira cidade a receber energia elétrica (para os curiosos como ele, procurei no google e a resposta é sim: Piracicaba foi, em 1893, a primeira cidade brasileira a receber energia elétrica). Todos nos olhamos na mesa durante alguns segundos. Silêncio. De repente alguém responde que já ouviu falar sobre, mas sem certeza. Ele traz duas bandejas, uma com peixe assado e outra com uma pergunta, dessa vez sobre a lua. Depois um cardápio de novas perguntas.

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Dentro de mim não consigo parar de pensar sobre os mundos paralelos de que Cortázar tanto fala. Esses mundos enormes de inquietações, segredos e encontros. Quantas perguntas cabem entre as orelhas? No outro dia pequenos passeios gastrônomicos, afinal, não se pode conhecer um lugar apenas olhando, é preciso degustar. Uma tarde doce, com sorvete de todos os sabores. De volta ao teatro para uma longa maratona de cabelos e maquiagens, ainda sobra tempo para reencontros: é sempre uma alegria encontrar Fátima, sensação daquele longe que está sempre perto…

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Entre o público, alguns rostos conhecidos. Família, alunos e amigos de Piracicaba, Hortolândia e outras paisagens. Entre Campinas e Piracicaba, uma pequena distância, que esperamos encurtar cada vez mais. Levantamos âncoras e o barco segue o fluxo do rio, que vai afinando até virar um ribeirão. Ribeirão Preto.

Bruno Cardoso

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