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Ação 4 – O que te toca?

Uma ação para ter coragem.

No dia 10 de agosto, Alice e eu decidimos nos presentear com um desafio: um programa performativo.

Tínhamos um combinado prévio: dançar músicas cantadas por mulheres em um local fora da sala de trabalho. Usaríamos os fones do “Jogos Cortazianos” e uma prepararia as músicas para a outra.

WhatsApp Image 2018-09-05 at 22.57.03E assim fizemos. Saímos do Matula às 14h30. Alice seria a primeira a receber os fones, seguimos em direção a Joaquim Egídio. Na estrada entre Sousas e Joaquim Egídio (distritos de Campinas) há um parque que gosto muito, chão de terra, arborizado e era para lá que queria levar Alice.

No fone para ela tinha Dikanda, Elza Soares, Madredeus e Alice Caymmi. Nas mãos entreguei um caderninho com algumas indicações: observações espaciais, descrever espaço, escrita automática.

Quando ela terminou sua ação, foi a minha vez. Entramos no carro e começamos no distrito de Souzas. Não sei ao certo quantas músicas tinham naquele fone. Algo em mim guardou mais a sensação corpórea que sonora. A primeira música era para ouvir de olhos fechados (uau, fechar os olhos na rua! Fechei, sabia que Alice me olhava, eu estava segura), mas não fechei só os olhos, fechei tudo, sem perceber estava sentada, braços e pernas cruzadas. Pronto, estava lá, dentro de mim, aquele lugar escurinho da gente, que não dá pra mentir, que às vezes fugimos dele.

WhatsApp Image 2018-09-06 at 21.01.31(1)Escutei Bethania, Madredeus (sim somos parceiras de trabalho, coincidências sonoras), e percorri as ruas de Sousas dançando e cantando. O fone tem esse poder de me levar para um mundo paralelo. Assim como em ‘Jogos Cortazianos’, ele age como um figurino em mim, há uma persona que dança com os fones.

Seguimos no carro ouvindo, Rita Lee gritava em meus ouvidos. Eu tive uma crise de riso, dessas que tenho quando fico nervosa, estava num carro, velocidade, sendo guiada para algum lugar com um fone de ouvido, depois de ter cantado e dançado na rua.

Por coincidência (porque já tínhamos combinado a ação há algum tempo), naquela semana minha avó havia falecido e a ação terminava na rua de um cemitério aqui de Campinas. Ouvindo Clara Nunes não entramos no cemitério, mas a memória de uma despedida era ali muito próxima.

erikaParamos num quiosque, dois homens sentados ao lado eram meros detalhes. Eu seguia ouvindo e lavando o rosto de água e lágrimas, deixando a música percorrer algum espaço meu que não sei exatamente qual é, mas que só músicas cantadas por mulheres são capazes de fazer comigo: me serenar, pegar no colo e mostrar algo que está além dos olhos.

Depois, Alice e eu terminamos o dia sentadas num café, desses de posto de gasolina, com um pouquinho mais de coragem de sonhar com a vida que queremos com o Matula. Porque é preciso coragem para seguir juntas nessa estrada tantas vezes tortuosas, mas acima de tudo é preciso afeto e respeito, muito amor para tocar o outro com tanta delicadeza a ponto de fazê-lo se abrir, assim, em lágrimas e riso. E, isso Alice tem um cuidado especial em fazer.

WhatsApp Image 2018-09-06 at 21.01.31E esse texto é um mix de contar e ao mesmo tempo agradecer a vida compartilhada ao lado de minha parceira de trabalho!

Erika Cunha

 

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Selo 18 Anos