Ação 16: Flores

Essa ação foi realizada por Alice Possani e Luiz Eduardo Ferraz, a partir de disparadores propostos por Erika Cunha.

O relato a seguir é de Luis Eduardo!

“A 16ª ação começou com o jogo “Oi tudo bem?”. Uma pessoa pergunta a outra que tem que responder durante interruptos 3 minutos. Depois quem perguntou tem 1 minuto para descrever a resposta que acabou de ouvir sem julgar ou fazer interpretações, apenas descrever. Após inverter as posições jogadora e jogador receberam um matéria de jornal a respeito do atentado de 11 de dezembro de 2018 que houve na catedral de Campinas e um vídeo da música “Construção” de Chico Buarque de Holanda.

WhatsApp Image 2018-12-17 at 14.02.16Após alguns exercícios foi proposto para o dia seguinte uma caminhada pelo centro da cidade, mais pela rua 13 de maio entre a Catedral e a Estação Cultura. Para esse trajeto 5 diferentes ações:

  • Deixar um buque de flores em frente a catedral
  • Retirar uma flor do buque e deixar no Posto da Polícia Militar, que fica em frente a catedral
  • Fazer a seguinte pergunta a 4 pessoas: Qual o melhor trabalho terceirizado do Brasil/ ou que você conhece?
  • Tirar fotos das melhores placa de propaganda do percurso
  • Fazer o jogo “Oi tudo bem?” no final do trajeto, enviar todas as fotos e gravar um áudio de 4 minutos relatando a experiência.

No dia seguinte jogadora e jogador receberam logo pela manhã uma mensagem pedindo para escrever o primeiro pensamento que vem da palavra abissal, e gravar um áudio falando se sonhou ou não. Depois disso e, para finalizar receberam a música “Linha Abissal” do Inquérito.

Descrever esse processo parece ser a última parte da experiência, que certamente não deixará de reverberar. Muitos símbolos, conteúdos, sentimentos foram mobilizados e poder observar, descrever, sentir e transformar tudo isso traz novas perspectivas para nossa relação com a cidade, com a nossa cidade. Que cidade é essa? Como participamos e atuamos nela? O que dela conhecemos, o que achamos que conhecemos? Perguntas provocadas nesse exercício de atravessar a cidade com olhares e pontos de vistas atentos e com diferentes intensões. Cada etapa/ação que nos foi proposta mudava minha maneira de observar e também a maneira como me sentia observado e abordado pelas pessoas na rua. Caminhar com um buque de flores, ou com uma prancheta e caneta ou tirando fotos de vitrines mudavam os olhares e gestos que chegavam até nós e também como nos relacionávamos com quem passava.

WhatsApp Image 2018-12-17 at 13.59.28Alguns olhares curiosos traziam uma desconfiança iminente e comum que nos acompanha sempre que andamos pelas ruas da cidade, algumas pessoas até pareciam conseguir driblar esse sentimento e demonstrar algum tipo de tranquilidade. Não é fácil, pois ali é um lugar de se manter atento. Mas que tipo de atenção nos é reclamada? Depende de quem somos e do que fazemos?

Uma mudança de olhar, uma mudança de intenção transforma a qualidade dessa atenção que nos é demandada a todo tempo. Quais são as demandas realmente necessárias que aparecem ou que criamos em nossas vidas, e quais são as que nos consome sem trazer um retorno proporcional ao gasto de nossa atenção e energia? Em que momentos somos aquele que anda com flores e as entrega e distribui pela cidade? Em que momento somos quem está trabalhando numa loja, ou rezando e fazendo uma prece? Somos muito mais que uma definição, muita coisa, somos momentos. Que possamos buscar bons momentos nesse nosso trajeto.
Oi tudo bem?”

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