Banca de Poemas

WhatsApp Image 2018-11-09 at 10.14.10A ação que vamos relatar hoje teve a participação mais que especial das atrizes Luzia Ainhoren e Giovanna Zottis, ambas de Porto Alegre e que estão em Campinas para trocas artísticas e estudos. O encontro com ambas aconteceu por conta de uma disciplina da Pós Graduação em Artes da Cena, ministrada por Verônica Fabrini e Erika Cunha, chamada Arte e Ativismo.

Esse encontro mobilizou afetos que se transformaram na ação Banca de Poemas, realizada no dia 08/11, num ponto de ônibus da Avenida Anchieta, em frente a Prefeitura de Campinas.

Segue relato feito por Luzia:

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WhatsApp Image 2018-11-09 at 10.02.06“Saímos de Barão Geraldo naquela manhã ensolarada com um programa em mente: doar poesias em um ponto de ônibus. As expectativas,  difíceis que são de driblar, rondavam nossos corpos, atravessando cada uma de nós, de diferentes maneiras: no sonho, na pressa, na fome, no riso.

Ao chegar no centro de Campinas, o ponto programado estava vazio. Vazio o ponto de chegada. Vazio de receptoras e receptores que abarcassem o tanto de expectativas que trazíamos conosco. Caminhamos um pouco, mas a sensação de que o ponto era aquele, ainda que vazio, pulsava forte. O ponto esvaziado.

Eis que quando chegamos, já um pouco esvaziadas também,  montamos a banca de poemas e, levemente, sutilmente, sem tanto esperar, passamos a perguntar: “você gostaria de ganhar um poema?” – às mulheres que por nós passavam.

WhatsApp Image 2018-11-09 at 10.11.14Ao longo do tempo, víamos as expressões mudando: preocupação virava alívio; pressa virava sorriso; passo apertado, deixar-se parar; “não” para “quero”; raiva virava alegria; De dentro do ônibus,  olhares acostumados brilhavam de curiosidade. Os mais tímidos passavam com pressa,  torcendo pra que ninguém os chamassem, mas não sem esboçarem um pequeno sorriso. Muitos desconfiados, perguntavam “tem que pagar?”, e se admiravam ao escutar que não,  que era um presente.

Essa ação trouxe, nesse momento onde as ruas estão preenchidas por tensões e medos, uma sensação de esperança. Da palavra esperança,  se dita em voz alta várias vezes, passa a latejar o sentido da espera. A espera que, se escutada, passa a reconfigurar-se em acontecimento. E aconteceu: foi um momento de esperança,  de onde brotou mais vontades – de estar na rua, espaço de tanta concretude, de realidade tão dura – olhando nos olhos e modificando momentos.

WhatsApp Image 2018-11-09 at 10.12.34Um respiro. Uma abertura de sentidos. A poesia cava túneis internos de percepção,  abre janelas de tempo e espaço.  A urgência do ônibus se dissipa por breves instantes, fica em segundo plano.
O ponto de ônibus reconfigura-se: não é mais um corredor apertado,  território de nãos,  de pressa, de esbarros. Agora é ambiente de afeto, troca, sorriso, lágrima, dor, saudade, acolhimento, abraço.  Lugar de desabafo,  de alteridade.

O ponto de chegada e o de partida já não era o mesmo. O ponto vazio preencheu-se de experiências e, durante o tempo que durou (que foi o tempo dos poemas, que acabaram pouco antes do momento de término da ação), nosso olhar mudou. Nossos olhos mudaram ao cruzar com tanta necessidade de desacomodar-se, de enxergar-se como pertencentes, de driblar a solidão. Encontramos um vazio de solidão e, por instantes,  o preenchemos de esperança viva, de troca.”

Luzia Ainhoren

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Valeu, meninas! Tivemos uma manhã memorável!!Selo 18 Anos

(e que venham outras e mais outras…)

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